6 · Economia institucional
Por que dois municípios com o mesmo PIB per capita produzem trajetórias radicalmente distintas? A resposta — segundo North, Acemoglu e Ostrom — está nas regras do jogo. O componente Prontidão do Score traduz essa intuição em métrica observável.
6.0 · Por que economia institucional, e não apenas indicadores socioeconômicos
A maior parte das tipologias de "necessidade municipal" usadas no Brasil (IDH-M, IVS, IPS) é de capacidades de resultado: mede onde está pior. O agente complementa esses indicadores com uma camada de capacidade institucional — não para julgar a história institucional do município, mas para responder a uma pergunta executiva diferente: "existe arranjo local capaz de absorver o capital aportado e operacionalizá-lo em prazo razoável?". Sem essa camada, o agente recomendaria sistematicamente os municípios mais frágeis institucionalmente — exatamente os que rejeitariam a operação por falta de OSCs, conselhos atuantes ou capacidade de contratualização.
North (1990), Acemoglu & Robinson (2012) e Ostrom (1990) formam o tripé teórico desta camada. Os três convergem em uma proposição que parece banal e rende consequências fortes: instituições são "as regras do jogo" humanamente concebidas que restringem interação. Quando essas regras são inclusivas (permitem entrada, contestação, accountability), a sociedade gera capacidade de execução; quando extrativistas (concentram decisão e bloqueiam contestação), a capacidade de execução fica retida em poucos atores. A diferença é observável: presença de OSCs ativas, frequência de atos de transparência, qualidade do CAUC, existência de conselhos com paridade funcional.
“Inclusive economic institutions are forged on foundations laid by inclusive political institutions, which distribute political power widely and place constraints on the exercise of authority. The poor performance of nations is the result of extractive institutions, not geography or culture.”
6.1 · North · instituições como restrições humanas
“Institutions are the rules of the game in a society or, more formally, are the humanly devised constraints that shape human interaction.”
Para North, instituições — formais (leis, contratos) e informais (normas, costumes) — reduzem a incerteza estruturando a vida cotidiana. Investimentos filantrópicos em territórios com instituições frágeis enfrentam não falta de boa vontade, mas custos de transação proibitivos.
6.2 · Acemoglu & Robinson · inclusivas vs. extrativistas
“Inclusive institutions create incentives and opportunities for the great mass of people. Extractive institutions are designed to extract incomes and wealth from one subset of society to benefit a different subset.”
A distinção é fractal — vale para nações e para municípios. O agente operacionaliza isso através de proxies: índice de transparência (CGU), participação eleitoral, densidade de OSCs ativas, alternância de poder local.
6.3 · Ostrom · governança dos comuns
Ostrom é particularmente relevante para teses que envolvem recursos naturais compartilhados (água, pesca, floresta) ou infraestrutura comunitária. O agente sinaliza, na tela /decisao, quando uma tese tem perfil "Ostrom-friendly".
6.4 · O componente Prontidão
Prontidão (Pro) é a tradução operacional dessas três tradições. Compõe-se de:
- Densidade institucional — OSCs ativas por 10k habitantes.
- Capacidade fiscal — receita corrente líquida per capita.
- Transparência — Escala Brasil Transparente (CGU).
- Estabilidade — alternância eleitoral e taxa de execução orçamentária.
Para aprofundar
- Institutions, Institutional Change and Economic Performance — Douglass North (Cambridge) ↗North · 1990Obra canônica. Capítulos 1, 3 e 14 cobrem o essencial.
- A teoria institucional de Douglass North (SciELO REP) ↗Revista de Economia PolíticaSíntese em português, contextualizada para leitores brasileiros.
- Institutional Development and Colonial Heritage within Brazil ↗Naritomi, Soares & Assunção (PUC-Rio) · 2009
“Local institutions in Brazil are significantly correlated with the type of colonial economic activity to which the area was originally exposed.”
Aplicação direta do framework Acemoglu-Robinson ao Brasil. Fundamenta a leitura intermunicipal de Prontidão. - Reversal of Fortune (Acemoglu, Johnson & Robinson, QJE) ↗Acemoglu, Johnson, Robinson · 2002Paper que estabeleceu a tese de instituições extrativistas vs. inclusivas com evidência colonial global.
- Why Regions Fail — James Robinson (Univ. Chicago) ↗Robinson · 2018Generalização sub-nacional do argumento. Especialmente relevante para o gate de Viabilidade municipal.
- Governing the Commons — Elinor Ostrom (Cambridge) ↗Ostrom · 1990Os 8 princípios. Cap. 3 detalha cada um com casos.
- Escala Brasil Transparente — CGU ↗CGUAvaliação censitária de 5.570 municípios. Fonte primária do componente Prontidão (transparência).
- TSE — Estatísticas eleitorais municipais ↗TSEAlternância de poder local, participação. Insumo para Prontidão (estabilidade institucional).